A FILOSOFIA OCIDENTAL DA MEDICINA NATURAL
sábado, 8 de junho de 2013
A medicina natural praticada presentemente no mundo ocidental tem as suas raízes nas tradições da Europa e da América do Norte, mas adoptou também alguns medicamentos básicos de África e da América do Sul, assim como da prática das medicinas chinesa e aiurvédica.
O Regresso ao Equilíbrio Corporal.
No cerne da medicina natural ocidental mantêm-se algumas das filosofias preconizadas pelo físico grego Hipócrates e pelos seus contemporâneos, há mais de 2000 anos. Estes ensinamentos incluíam o princípio de que o regime alimentar, o ambiente e o estado mental contribuíam todos para o bem-estar de um doente.
Os herbalista ocidentais fazem uma abordagem holística semelhante aos cuidados de saúde, receitando alterações de regime e de estilo de vida, assim como medicamentos naturais, baseados no princípio de que os factores prejudiciais à saúde devem ser removidos para que a cura possa acontecer.
Esta abordagem resulta do ponto de vista de que o organismo muitas vezes se repara a si próprio, desde que lhe sejam dadas as condições para o fazer – outro conceito associado à tradição hipocrática, das vis medicotrix naturae, ou a capacidade inata de auto-cura do organismo.
Em muitos pontos, este objectivo de fazer o corpo regressar a um estado de equilíbrio é a base das decisões terapêuticas tomadas pelo herbanário.
Enquanto a abordagem médica se fica mais na luta contra a doença e a patologia, o herbanário ocidental dedica-se principalmente a optimizar a função dos órgãos e dos sistemas de modo a que o organismo se possa curar asi próprio.
É claro que, em quadros clínicos agudos e graves, a intervenção médica é inteiramente apropriada. A abordagem específica e orientada é essencial num caso de tensão arterial elevada, infecção potencialmente letal, apendicite aguda ou reacção alérgica anafiláctica – todas requerendo tratamento drástico e imediato.
Tratamento de Infecções Crónicas.
As plantas são muitas vezes apropriadas para afecções crónicas que se desenvolvem ao longo de um largo período de tempo e cujos sintomas podem ser mais indefinidos. Estes quadros clínicos estão comummente ligados a maus hábitos alimentares e de estilo de vida que, muitas vezes, respondem bem a medicamentos naturais mais suaves e de acção mais lenta, especialmente se conjugados com uma alteração nos hábitos. Focando-se nestes estados crónicos, as plantas podem contribuir para que algumas situações clínicas não evoluam para doenças mais graves, requerendo uma intervenção séria.
A prevenção é, na verdade, um dos objectivos importantes do tratamento.
Os Benefícios das Plantas.
Para recolocar o corpo em estado de equilíbrio, o herbanário ocidental avalia o funcionamento de cada um dos órgãos mais importantes dos sistemas corporais. Vitais são O aparelho digestivo e os órgãos de eliminação a optimização da sua capacidade para assimilar os nutrientes e processar os resíduos do organismo é uma preocupação fundamental em protocolos de tratamentos.
O herbanário pode receitar remédio que: ajudem a lidar com o stresse, reforçando ou acalmando o sistema nervoso.
Aumentam a resistência à infecção ou à alergia, apoiando o sistema imunitário.
Normalizem o equilíbrio hormonal aliviando os sintomas da menopausa ou da síndroma pré-menstrual, ou optimizem o corpo para a concepção.
Aliviem a dor e a inflamação.
Estimulem a circulação sanguínea e ajudem o coração.
Cuidados Individuais.
Antes de determinar um tratamento apropriado o herbanário considera as circunstâncias e a constituição de cada doente, Por exemplo, ao formular uma receita para apoiar a perda de peso, poderá levar em linha de conta factores como os hábitos intestinais, os níveis energéticos, o estado hormonal e a capacidade do doente para lidar com o stresse. Esta abordagem individualizada ao tratamento – tratando a pessoa e não a doença – é a oposta à de uma medida para todos, que pode ser característica do modelo ou farmacêutico.
Ciência e Tradição.
A moderna medicina natural ocidental, baseada principalmente nas práticas da Europa e da América do Norte, adoptou também um grupo variado de medicamentos de África e da América do Sul, assim como das medicinas tradicionais chinesa e aiurvédica.
Testes Clínicos.
Ao contrário das fitoterapias chinesas e aiurvédica (ou até mesmo da analise hipocrática) a fitoterapia ocidental não incorpora, contudo uma abordagem de humores ou elementar á doença. Por essa razão, os remédios que o herbanário vai buscar a outras tradições são raramente usados no seu contexto original.
Ao receitar dan shen deverá estar mais a pensar nas suas acções clinicamente comprovadas sobre a angina de peito ou outras afecções cardíacas do que nos seus atributos chineses de planta com efeitos de arrefecimento.
Os herbanários ocidentais baseiam-se cada vez mais em testemunhos científicos que validam o seu conhecimento tradicional. No entanto, o estudo científico das medicinas naturais enfrenta um conjunto único de desafios. Dado o facto de relativamente poucas plantas terem sido sujeitas a escrutínio científico, uma receita do seu herbanário ocidental tenderá a combinar remédios provados clinicamente com outros cujo uso é baseado na experiência tradicional. Em muitos casos, cinco ou seis plantas diferentes – ou mais – são misturadas numa única receita.
Sinergia
A prescrição de combinações de remédios demonstra a crença do herbanário na sinergia, conceito de que remédios botânicos diferentes se combinam para produzir maior efeito do que o de qualquer remédio individual por si próprio.
A sinergia também se aplica aos componentes de uma planta, com a maioria dos herbanários ocidentais a acreditarem que o remédio completo produz tratamento mais eficaz do que o dos seus constituintes activos.
Por exemplo, a aspirina, composto de ácido acetilsalicílico originalmente extraído da ulmária, provoca por vezes efeitos secundários de hemorragias gástricas ao passo que a planta no seu todo não o faz, e até parece oferecer alguma protecção contra a irritação gástrica causada pelos salicilatos.
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